segunda-feira, 21 de março de 2016

Stephen Avenue - um dos meu lugares preferidos aqui em Calgary, AB - Canadá

Oi Oi people! 

Hoje vim aqui contar pra vocês um pouquinho sobre um dos meus lugares preferidos aqui em Calgary: a Stephen Avenue! Eu preciso andar apenas 2 quadras pra chegar ali e por sem bem perto, bem movimentada e bem charmosa, eu to sempre por ali! 

Ela é a 8 Avenida, entre a 4 street SW e a 1 street SE e os carros só podem circular por ela no período da noite (6pm até 6am), a não ser que tenham autorização da prefeitura pra andar por ali por algum motivo. De dia, só os pedestres! :D Ela foi construída por volta de 1900 e só em 1970 é que ela virou uma avenida para pedestres, sendo a maior de todas aqui em Calgary. 

Ela tem esse nome em homenagem ao George Stephen, Primeiro Barão de Mount Stephen, Primeiro Presidente da Canadian Pacific Railway (não conheço toda a história do Canadá - ainda - então tem dois posts que contam um pouco sobre Calgary aqui e aqui se você quiser saber mais). 

A Stephen Avenue foi declarada patrimônio histórico do Canadá em 2002 e muitos dos prédios históricos são feitos de sandstone - arenito? - que foi extraída localmente, resultado da construção de edifícios resistentes ao fogo após um incêndio em 1886 que danificou muitas das estruturas de madeira que existiam na cidade. 

Ela é conhecida pelos finos restaurantes, cafés, pubs e bares. E claro, um MC Donalds 24h haha Ela também é conhecida pelo mix de lojas e boutiques e uma junção de vários shoppings com muita alternativa para os consumistas de plantão. Um desses shoppings é o The core Shopping Centre (que é enorme, e tem várias entradas, ligando várias ruas do centro). Tem também vários prédios de bancos, financeiras e etc. E claro: várias lojas de departamento. A minha preferida é a Winners (a Ross do Canadá), que tem muita coisa barata e legal. Vale o passeio diário pra ver se encontra o que tu quer por um preço mais acessível. 

Ah, e tem vários hotéis bem chiques por lá hein, muita coisa antiga que a gente fica de boca aberta só de olhar. Ela não é reconhecida por ser uma rua de baladas, mas tem algumas por ali sim, principalmente dentro do shopping. Bem diferente. 

Enfim, um lugar lindo pra fazer um passeio, uma caminhada, passear com os amigos, aproveitar as lojinhas locais e as grandes lojas, tomar um chá na calçada e admirar a mistura dos prédios modernos com os antigos, que é o que mais me encanta! :D 

E claro, todo mundo fala sobre a Stephen Avenue na primavera/verão: os restaurantes colocam as mesinhas na rua, música, o clima é totalmente diferente. Tudo bem bonito e florido, com várias feiras na rua, alguns food trucks, e vários eventos. E claro, com o sol até as 11:30 da noite, tem muito tempo pra aproveitar! 

Vou colocar umas fotos que eu tirei aqui pra vocês verem e vou colocar outras no verão (que não foram tiradas por mim). Espero que tenham gostado! E pra quem quiser acompanhar mais do dia a dia canadense me segue lá no Snapchat marianabday :) 

Essa foto tá exposta em um dos Hotéis mais antigos daqui, em 1920.

 "costas" da Stephen Avenue




Um dia clássico bem cedo quando fui caminhar por lá, umas 8h da manhã 



























Fotos tiradas no verão 


















Meu conselho pra você que quer vir me visitar: venham nessa época! :D 




sexta-feira, 4 de março de 2016

Um mês no início dessa nova fase e o que eu aprendi com isso até agora.

Oi oi people!

Então, há um mês eu saí do conforto da minha casa e embarquei nessa jornada louca que é a viver a vida em outro país, longe da família e dos amigos.

Se engana muito quem acha que morar fora do Brasil é oitava maravilha do mundo. PARE COM ESSE PENSAMENTO! Não é verdade. Todos os países tem problemas. A gente sempre vai encontrar algo que não funciona de acordo com o que a gente quer/pensa.

E isso não é conversa só porque eu não estou no Brasil em um momento tão difícil da nossa história. Eu morei 27 anos da minha vida no Brasil, eu sei como as coisas funcionam. Já morei fora do país e ja viajei também. E eu posso dizer: não é só festa, só maravilha por aqui não.

Claro, não vou ser hipócrita a ponto de dizer que as facilidades, cultura e educação do povo não influenciam. Eu tenho me surpreendido muito positivamente por aqui. As pessoas realmente são gentis, queridas e preocupadas. E isso é algo que eu aprecio muito. Mas as coisas funcionam de uma maneira completamente diferente por aqui. Aqui também tem rotina, tem contas pra pagar, trabalho pra procurar e planos pra traçar. É difícil também.

Aqui também tem gente porca, tem gente corrupta, gente que sacaneia. Tem tudo isso também. E viver a vida longe de "casa" não é tão fácil quanto parece. Dói.

A segurança e a qualidade de vida que temos aqui tem um preço a ser pago. E ele é alto minha gente. A vida das pessoas no Brasil segue e é difícil se desvencilhar da vida que se levava antes. Em razão do fuso horário, ninguém te responde na hora. Muitas vezes nem lembram de te responder (e isso não é uma reclamação, é um fato de como as coisas funcionam, mais uma vez: a vida de todo mundo segue). A rotina corrida de todo mundo, aqui e lá, dificulta a comunicação.

Mas essa é a vida, a gente amadurece na marra. Aprende a na marra. Entende na marra. A vida longe do que a gente tá acostumado não é fácil. A zona de conforto é muito gostosa se bem aproveitada. MAS, não existe nada melhor que sair dela e se desafiar. Desafiar o mundo, ganhar o mundo. E isso, ninguém nos tira. E essa vontade de viver e absorver outras culturas, a gente nasce com isso ou não.

Essa experiência tem sido muito legal até o momento. Inventando coisas novas, criando novos planos pra uma vida "nova", um novo trabalho, uma nova meta, uma nova rotina, diferente de tudo que eu tinha no Brasil. Uma nova carreira. <3

Mas atenção: os problemas não ficam no Brasil. Eles te perseguem e tu tem que resolver da tua maneira. Eu faço terapia há uns anos e é isso que me ajuda a segurar as pontas por aqui.

Nesse mês eu aprendi que a saudade dói de uma maneira muito diferente do que costumava doer. Ela dói de uma maneira estranha. Ela dói, mas não te rasga. Ainda. Ela vale a pena por toda a experiência e expectativa de uma vida plena. Pelo menos por enquanto.

O que eu quis dizer com tudo isso? A saudade dói. Dos amigos, da família, das pessoas importantes da nossa vida. Eu aprendi que não existe lugar perfeito pra viver. A vida aqui também não é fácil, tem muitos obstáculos e problemas a serem enfrentados. Mas por enquanto é o que temos para o momento.

Eu aprendi que viver de uma maneira plena as maiores experiência da vida, tem um preço muito a ser pago. A saudade. Só porque ela dói diferente, não quer dizer que no fundo do coração ela não nos entristeça. E não tem problema nenhum nisso.

Sejamos felizes <3




sábado, 20 de fevereiro de 2016

Como trouxemos o Klaus e o Dexter para o Canadá

Oi oi people! 

Bom, no último post contei o motivo da nossa mudança e por aqui vou contando alguns dos nossos planos. O primeiro ponto desse arco de postagens é óbvio que seria sobre os amores da vida da mamãe: Klaus e Dexter e todo o seu charme! :D 

Nós passamos muitos meses lendo várias matérias e blogs de pessoas aqui do Canadá pra saber como faríamos pra trazê-los. Um deles foi o da Gaby no Canadá. Isso era algo que me deixava absurdamente louca e estressada. É muito duro saber que vai ser muito difícil pra eles. 

A princípio nós pensamos em transportá-los como bagagem de mão na cabine conosco. Essa decisão perdurou por alguns meses até que conversamos com outras pessoas que também estavam mudando de país e iriam levar os seu pets. 

Eu sabia que seria difícil, pois é complicado com o Klaus, que chora O TEMPO INTEIRO. Mas estávamos dispostos a assumir os riscos e os olhares das pessoas dentro de uma avião por várias horas. 

Eis que mesmo antes de saber a data definitiva da viagem fomos surpreendidos com a informação de que eles era MUITO GRANDES para ir na cabine conosco. Não poderíamos levá-los sob os nossos cuidados. Era necessário que despachássemos eles como bagagem. 

Eu fiquei muito assustada e preocupada. Não dormia de noite pensando como faríamos. E todo mundo perguntando como iríamos fazer.. isso enche muito o saco. Fora as pessoas que perguntavam se não podíamos deixar os gatos, se ninguém poderia ficar com eles. ISSO, É UMA DAS COISAS MAIS REVOLTANTES PRA MIM. Não, eu não podia deixar os meus gatos, eu não queria deixar os meus gatos e eu ficava extremamente OFENDIDA com quem dizia isso. Você deixaria seus filhos? 

Eu sempre pensava: eu estou indo pra um lugar completamente diferente, sem amigos e sem família.. ou seja: eu precisava da minha família por perto. E a minha família é o meu marido e meus dois filhos, meus dois gatinhos que são tratados aqui em casa assim: como filhos. E serão tratados assim pelos seus irmãos, quando eles vierem ao mundo um dia. As pessoas precisam nos respeitar e saber que existe um limite entre ser inconveniente e querer ajudar. 

Fora isso: COMEÇAMOS A NOSSA PESQUISA ATRÁS DE EMPRESAS PARA TRANSPORTE. 

Fizemos vários orçamentos e tudo era ABSURDAMENTE caro. Quando soubemos da data da mudança, não tínhamos o que fazer. Tínhamos que mandar eles de qualquer maneira. 

Resolvemos fechar o negócio com a MM CARGO (Vou colocar no final os contatos pra quem tiver interesse). E sim, foi super caro. Pagamos em média R$7 mil reais para o transporte dos dois felinos. O que incluía nesse serviço? aéreo e documentação.

Vou listar as informações por pontos, eu acho mais interessante assim. 

-Tivemos que comprar as caixas de transporte autorizadas pela companhia aérea que eles iriam viajar, no caso a UNITED, que tem um compartimento chamado PET SAFE pra levar os pets em segurança. Pagamos R$635,00 cada caixa, fora o valor da empresa. A própria MM Cargo nos enviou as caixas, pois elas não são vendidas em Porto Alegre. 

- Arrumamos tudo e entregamos os gatinhos na TAM CARGO que fez o transporte nacional deles pelo valor de R$330,00. Foi a maior dor do mundo deixá-los lá chorando. Eu precisei enviar 500g de ração anexadas na caixa, pra que eles pudessem comer a ração a qual estavam acostumados. 

- A MM Cargo retirou os animais no aeroporto de Guarulhos em São Paulo e eles passaram a tarde com eles. Foram examinados por veterinários, passearam fora das caixas e beberam muita água. Os trâmites de documentação foram todos feitos pela própria empresa. Nós só providenciamos cópias autenticadas das carteiras de vacinação (para o embarque nacional) e os originais foram enviados uma semana antes para a MM cargo (para o embarque internacional é necessário que sejam as originais). Os atestados de saúde médica, nós providenciamos também (que foram muito fáceis, pois a empresa nos encaminhou os modelos prontos, preenchemos tudo e a veterinária deles assinou). Os atestados do departamento de zoologia do brasil foram providenciados pela empresa. 

- Na mesma noite, Klaus e Dexter embarcaram com destino a Atlanta nos Estados Unidos para a conexão. Lá foram examinados novamente por veterinários e fizeram a imigração americana. Durante todo o trajeto eles puderam comer e beber água. As caixas precisam ser grandes e eles precisam poder ficar de pé sem bater as cabeças e poder dar uma volta no corpo sem se bater. Compramos umas maravilhosas para eles se sentirem bem. Eles não podem viajar na mesma caixa. 

- Embarcaram depois de 15 horas nos EUA pra Calgary, Canadá. Na chegada são examinados novamente. Um amigo do Fernando os retirou no aeroporto junto com a documentação. Eles foram pra casa de outro amigo do Fernando aqui para poder esperar aquela noite pela nossa chegada. 

- Nós podemos rastrear todos os vôos deles e onde as caixas estavam. A empresa nos forneceu informações o tempo todo e foi muito atenciosa conosco. A pessoa que cuidou do nosso processo foi a Lorraine e nos ajudou muito. 

- Quando chegamos em Calgary, fomos buscá-los após o almoço e os trouxemos para casa. Finalmente estávamos todos juntos. 

Se alguém ficar com alguma dúvida ou quiser trocar informações, entra em contato comigo por e-mail (marianaday@gmail.com) que eu vou ter o maior prazer em ajudar! :D 

A adaptação deles na casa temporária foi gradual e aos poucos foram se acostumando com o ambiente, a troca da comida, das caixas. Hoje, finalmente, vamos para a nossa casa definitiva e eles vão ter de se acostumar com outro ambiente. Nosso apartamento é menor que a casa que estamos e vai ser melhor pra gente. Estamos muito felizes aqui. 

Obrigada por terem lido até o final hehe :) 

Obrigada pelas mensagens de carinho que tenho recebido via snapchat! Eu tenho adorado saber que tem muita gente me acompanhando por lá, obrigada! :DDDD 









CONTATOS DA MM CARGO LOGISTICS





























sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Mudança para o Canadá

Bom dia people!!! :D 

Finalmente vamos tirar esse blog daquela mala amassada e empoeirada! 

O post de hoje é pra falar sobre a nossa mudança, pra alguns repentina e pra outros nem tanto. 
Muita gente tá curiosa que eu sei quer saber o que eu vim fazer aqui.  Vou explicar: Há um ano atrás, o Fernando - meu marido - recebeu uma proposta de emprego pra trabalhar pra uma empresa canadense. Nós tinhamos a promessa de em um ano conseguir imigrar para o Canadá. 

Contudo, um ano é muito tempo e a gente nunca imagina que ele vai chegar. Nós nunca sabíamos quando seria essa mudança, só sabíamos que ela aconteceria. Por isso, no final do ano de 2014 eu encerrei as atividades no meu escritório de advocacia e repassei minha carteira de clientes para uma colega extremamente competente. 

Com isso, eu precisava arrumar algumas coisas pra fazer. Guardei uma grana. Viemos em fevereiro de 2015 conhecer finalmente o Canadá. Gostamos do lugar, mas como tudo na vida, a primeira impressão NUNCA PODE SER A QUE FICA. 

Voltamos para o Brasil e recomecei a minha vida. Sem perspectiva de trabalho ou de algo pra fazer, comecei a pesquisar sobre coisas que eu poderia fazer, sem estar empregada e conseguir um dinheiro. Aí surgiu a ideia da venda das jóias. Em alguns meses eu já ganhava 7x mais do que como advogada. Meu diploma na parede era minha segurança. Mas o dinheiro no bolso é que levava pra lugares que eu podia sonhar. 

Passei o ano inteiro estudando inglês (aprendi alguma coisa, finalmente!), vendendo minhas jóias, pesquisando lugares em Calgary, coisas pra fazer por aqui, universidades, escolas técnicas, empregos, móveis e apartamentos. 

Nossa mudança estava prevista para Março de 2016 (era o que imaginávamos). Viajamos dia 10/12/15 para casa da Bruna e do Chiconato nos EUA e demos uma passadinha por Vancouver, CA, pra conhecer... ngm é de ferro! :P 

Eis que voltamos e tivemos a notícia: visto pronto, tem que embarcar em 3 semanas. :OOOOOO 

Ok, vamos. Arrumamos tudo, nos despedimos das pessoas que conseguimos, embarcamos os gatos numa terça e e nós na quarta, dia 03/02/16. 

Que correria do Sr. Caralho! Corremos, tentamos resolver mil coisas ao mesmo tempo, deu praticamente tudo certo. 

Chegamos, almoçamos, buscamos o Dexter e o Klaus (objeto da próxima postagem: como trouxemos os bebês junto!) e finalmente descansamos - por uns dois dias. 

Semana começou correndo, procurando coisas pra fazer e casa pra morar. Tá quase lá. 

Estamos bem felizes e esperamos compartilhar com vocês esses momentos. :D 

Nas próximas postagens, pretendo dar mais detalhes de como anda a vida por aqui e do que estamos fazendo, nossos projetos e tudo mais. Sigam acompanhando por aqui e pelo snapchat (marianabday) que eu posto diariamente! 

Grande beijo pra vocês! 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Um dia em uma cadeira de rodas

Oi Oi! 

Há alguns dias venho escrevendo esse post e acabou demorando um pouco em razão de ter muita coisa pra escrever e descrever. 

Primeiro de tudo: Quebrei o pé e torci o tornozelo uma semana antes do meu tão sonhado show dos Backstreet Boys em Porto Alegre, dia 15/06/15. 

Minha primeira reação foi de susto e depois comecei a pensar como seriam os próximos dias com gesso, muletas, banho sentada, dependência pra praticamente tudo, incômodo pra dormir. Tudo isso não foi nada perto do que eu senti quando sentei em uma cadeira de rodas para poder ir ao show dos meus sonhos. 

É muito difícil alugar uma cadeira de rodas em Porto Alegre. Eu não sei como é em outras cidades/estados, mas em POA era impossível. A diária custa em média R$8,00 - até aqui tudo bem, mas tu tens que alugar ela por - no mínimo - 30 dais e deixar um caução em dinheiro de em média R$1.200,00. É caro e praticamente inacessível. Pra quem realmente precisa de uma cadeira por tempo indeterminado é mais fácil comprar do que alugar. No fim consegui uma emprestada.

Dito isso, começamos a saga da cadeira: como eu iria no show dos Bakcstreet Boys?
Os problemas começaram quando eu, por diversas vezes, liguei pro PEPSI ON STAGE pra saber sobre a acessibilidade. Eu sou advogada e conheço os meus direitos. Conheço a lei da acessibilidade e só é permitido um acompanhante pra cada portador de necessidade especial. 

O PEPSI ON STAGE não me forneceu nenhuma informação sobre o espaço de acessibilidade e muito menos se ele iria existir. Não me repassaram nenhuma informação sobre fila preferencial.

Chegamos no local do show e nos encaminharam pra uma fila que não era da PISTA, mas era plana o suficiente pra deixar a cadeira. Não existia fila de acessibilidade até então. As pessoas não te dão espaço pra passar, não te respeitam e te olham de cara feia. Como se eu estivesse adorando estar naquela posição. 

Duas horas na fila, fui abordada por um repórter do G1 na fila. Conversamos e ele pediu uma foto pra ilustrar a matéria e nós autorizamos. O repórter ainda fez uma brincadeira, dizendo que iríamos ficar em um lugar privilegiado pra poder enxergar o show... eu fiquei constrangida, mas disse: tomara que sim, pois eu realmente quero ver o show. 

Uma hora antes de abrirem os portões um segurança veio até mim e me informou sobre uma fila de acessibilidade que estava se formando pra poder entrar antes de todo mundo e não ser pisoteada. Fomos pra essa fila e conhecemos algumas pessoas com histórias super interessantes. Uma delas foi a Karen Novaes, a única cadeirante além de mim, que mora em Tramandaí e foi pro show acompanhada do marido (ela respondeu algumas perguntas e eu vou transcrever aqui pra vocês terem outra ideia de como foi). Conhecemos também a Keli, grávida de gêmeos (que já nasceram :D), que estava sozinha na fila e a Sthe, minha prima, entrou como acompanhante dela, pra poder me ajudar. 

Entramos aos trancos e barrancos, uma menina ATROPELOU MINHA CADEIRA na fila mesmo. Entramos junto com o pessoal que tinha pista Premium. Foi uma confusão, eu gritando pra pedir que as pessoas me dessem passagem. E ninguém olhava pra frente, pro lado, pra baixo... muito menos pra mim. 

Fomos direto pro banheiro e eu simplesmente não conseguia entrar. As pessoas não saiam da frente e não me davam passagem. Com muito custo consegui passagem. O banheiro foi um inferno. O de deficiente estava lotado de coisas, tipo um depósito e a funcionária de má vontade perguntou se tinha que tirar o balde de água e o resto lá de dentro. 

COMO ASSIM? Era meio óbvio que sim né. Depois disso fui pra área destinada aos portadores de necessidades especiais. 

O espaço era do tamanho da minha cozinha e já estava lotado. Consegui um lugar pra colocar minha cadeira (ao lado da Karen) e minhas acompanhantes cederam as suas cadeiras para os outros portadores de necessidades. 

TINHAM 9 CADEIRAS PRA TODO MUNDO. 9 CADEIRAS! E ÉRAMOS, MAIS OU MENOS, 20 PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS E SEUS ACOMPANHANTES. 

Resultado: Acompanhantes de pé e as pessoas paradas atrás gritando em coro: "SENTA, SENTA" - "VAI EMBORA". Bolinhas de papel, empurrões. Ficamos com medo que jogassem bebida. Uma menina invadiu o espaço querendo colocar os outros pra fora. GENTE, QUE ISSO? Eu nunca me senti tão desrespeitada e tão humilhada na vida. Na frente eu ouvi uma menina dizer: "ALEIJADO FICA EM CASA". Não é possível que as pessoas sejam tão sem noção assim. 

Nós ficamos entre a PISTA e o PREMIUM. Tinhamos pulseiras do ingresso premium. Os acompanhantes poderiam ter assistido o show lá na frente do palco. Mas não, RESPEITARAM TODO MUNDO E FICARAM NO LOCAL INDICADO, JÁ QUE NÃO PAGARAM POR AQUELE INGRESSO. 

Eu, que estava sentada, vi muito mal o show. Não consegui ver muita coisa nítida. Nos colocaram tão longe do palco, que eu teria que me levantar pra enxergar bem. Os acompanhantes viram bem porque estava de pé, acima dos outros, mas quem portava necessidades especiais como eu e a Karen, não conseguimos enxergar. 

"Os desiguais devem ser tratados desigualmente, para se obter a igualdade", já dizia minha professora de Direitos Humanos, Virgínia Feix. 

Eu, enquanto portadora de necessidades especiais naquele dia, me senti desrespeitada. Uma menina disse na minha frente: "Seria desumano subir aqui na grade e ficar na tua frente", com cara de nojo e debochada. NÃO! SERIA FALTA DE RESPEITO! 

O PEPSI ON STAGE não fez absolutamente nada pra que nós nos sentíssemos bem naquele espaço. Não disponibilizaram cadeiras e espaço suficiente pra todo mundo, nos colocaram tão longe do palco que eu só via a cabeça dos outros, porque não conseguia me esticar. Não disponibilizaram telões pro público. 

Mas o pior mesmo foi ter que ouvir as pessoas me mandando pra casa. Eu me senti muito triste. Não consigo acreditar que isso realmente faça parte da rotina de milhões de pessoas

Portadores de necessidades especiais, sejam quais forem, merecem respeito e acolhida de todos os estabelecimentos públicos e privados. O desrespeito e a humilhação me marcaram de uma maneira que eu simplesmente não consigo mais aceitar esse tipo de coisa. 

Aquela velha história: Estacionou na vaga de deficiente? Multa CARA, R$3.000,00 à vista sob pena de apreensão do carro (penhora e devolve o resto, sei lá!), sem recurso. É só um minutinho... NÃO EXISTE MINUTINHO. E eu conheço advogado que faz isso - QUE VERGONHA!!!!!!

O que são as calçadas? A falta de educação das pessoas que se atravessam na frente e não dão passagem? Os olhares maldosos ("espertinha, acha que vai ficar em um lugar melhor que o meu").

Enfim, eu voltei a andar 28 dias depois desse episódio. Mas e quem não voltou ou não voltará? Até quando a gente vai permitir que as pessoas sejam ignorantes e preconceituosas com as pessoas que portam necessidades? 

Então, vou transcrever uma parte da minha conversa com a Karen, que é portadora de necessidades especiais, já passou algumas vezes por esse tipo de situação e mais uma vez se sentiu desrespeitada. Ela é muito fã de Backstreet Boys e estava realizando um sonho, foi super querida comigo no dia e atendendo aos meus questionamentos.  Obrigada pelo teu relato Karen!



"Meu nome é Karen Tatiane Novaes, tenho 32 anos, e estou desempregada.

Sou portadora de deficiência, tenho uma lesão permanente devido a uma fratura de fêmur e perda óssea de 6,5 cm.

Como meu problema é mais de dificuldade de mobilidade e a não possibilidade de ficar grandes períodos de pé, me locomovo facilmente com auxilio de muletas, porém como me foi dito pelo Pepsi On Stage que não seria disponibilizado cadeiras, me obriguei a ir de cadeira de rodas pois não conseguiria permanecer de pé durante o show todo.

Tanto o Pepsi on Stage quando a Ticket for Fun garantiram que o local teria boa visibilidade e seria BEM próximo ao palco, a Ticket não sabia responder se seria na Pista Premium ou na Pista Comum, mas mesmo assim garantiu ser próximo ao palco, o Pepsi disse que seria junto a área VIP, (...) essa estrutura não foi montada. A área VIP foi posta na frente do palco enquanto a área para PNEs ficou no limite do começo da Pista Comum, com a Pista Premium toda na frente da área PNEs.

Me senti enganada, pois depois da produtora e da casa de show me garantirem , dizendo que eu poderia ficar tranquila, que eu teria uma boa visibilidade, a minha felicidade de realizar um sonho que era ver os Backstreet Boys foi por água a baixo, pois não era possível ver quase nada se eu permanecesse sentada. 

Antes do show fui tratada muito bem tanto por funcionários como pelas fãs que estavam na fila aguardando o show, mas tudo mudou quando fomos levadas pelos seguranças para a área destinada aos PNEs, lá fomos colocados em uma "ilha" com no máximo 0,50cm mais alto que a pista que nos deixava com a visão, não acima das outras pessoas, mas na mesma altura de quem estava de pé. Nesse local foram disponibilizadas cadeiras insuficientes para todos os deficientes, idosos, gestantes e seus respectivos acompanhantes, onde quase metade das pessoas que estavam nessa área teve de permanecer de pé, ficando assim na frente de quem estava na Pista Comum, atrapalhando a visão dos mesmos. Foi então que começaram os protestos contra quem estava de pé, que sofreram de uma humilhação sem tamanho, escutando vaias, xingamentos, foram atiradas bolinhas de papel e garrafas de água vazias. Um único segurança impedia que a área fosse invadida. Enquanto tudo isso ocorria, nem foram postas as cadeiras faltantes e nem fomos realocados onde não interferíssemos a visualização de ninguém, onde nós teríamos boa visibilidade e onde não sofreríamos essa humilhação. 

Após o show o medo cresceu, e não foi só em mim, pois outras meninas também esperaram todos saírem, pois estávamos com medo de sermos linchadas na rua, e após os seguranças nos colocarem pra fora, fecharam as portas e não ficou nenhum segurança na rua, sorte nossa que a maioria da multidão já havia se dispersado.

Voltar ao Pepsi é algo difícil, pois confiança é uma coisa que depois de quebrada não é fácil juntar os caquinhos, pois por mais que me garantam que tudo será como deve ser, boa visibilidade, independente se perto ou longe do palco, mas que eu sentada possa ver o show todo, mesmo tendo essa garantia eu não voltaria, pois eles me garantiram e não foi cumprido!!! 

Pretendo entrar com uma ação contra a Ticket e o Pepsi, já que um empurrava as questões pro outro quando perguntava sobre a área PNE e ninguém queria se responsabilizar. Nenhum dos dois sabia onde seria o local destinado aos PNE, e mesmo assim me deixando na ilusão de que teria uma boa visibilidade e BEM próximo ao palco (cifro o "bem" pois é isso que está escrito no e-mail que me enviaram e nas gravações das ligações que fiz!). 

Até onde sei isso é propaganda enganosa. Sem falar da humilhação que meu marido e eu passamos. Como eu disse antes, o que me foi tirado naquela noite não pode ser reposto, mas ação é para que, talvez doendo no bolso, eles não repitam isso com outras pessoas, pois não desejo o que passei, pra ninguém! Sem falar que a casa não tem preparo para receber PNEs, pois se quisesse ir ao banheiro, depois de ter chegado ao local à nós destinados, seria impossível pois teria de atravessar uma multidão, se acontecesse qualquer catástrofe, um incêndio, por exemplo, morreríamos todos, pois só após todas as pessoas saírem que seria possível a nossa retirada. Insegurança, despreparo, não sei nem como ainda funciona uma casa dessas!

Espero que tenha ajudado! Beijão!"


Enfim, espero que vocês tenham gostado do post de hoje, ele não é de fato algo pra se gostar né, é mais pra que a gente tome ciência do que acontece do nosso lado e veja os portadores de necessidades especiais de uma maneira mais humana. Nós não somos iguais aos outros, mas todas as pessoas merecem respeito acima de qualquer condição.